É muito comum quem corre desenvolver micose nos pés. Essas infecções são causadas por fungos que se alimentam da queratina presente em nossa pele, unhas e cabelos – por isso atingem justamente essas áreas do corpo. Pode parecer estranho pensar que carregamos milhões esses microrganismos sem nos dar conta disso – mas é isso mesmo que acontece. Vários tipos de fungos vivem em nosso corpo sem causar nenhum problema. No entanto, se eles começam a se reproduzir rápido demais causam processos infecciosos que, dependendo do fungo e da região afetada, podem ser superficiais ou profundos. Quando encontram condições favoráveis – como calor, umidade, baixa imunidade orgânica – podem se proliferar. Dois fatores especialmente atraentes para esses fungos ajudam a explicar por que corredores e outros atletas podem ser especialmente suscetíveis a micose: suor excessivo e contato com locais úmidos, como ginásios, vestiários de academias e chuveiros. Por isso, é importante prevenir-se (veja abaixo).

Sim, pode pegar!

Uma das características mais desagradáveis das micoses é que elas são contagiosas, ou seja, são transmitidas de uma pessoa para outra. E considerando que há registro da existência de aproximadamente de 230 mil tipos de fungos, é de se esperar que eles estejam em toda parte.  A boa notícia é que apenas 100 tipos aproximadamente de fungos causam infecção. Além disso, na maioria das vezes nosso sistema imunológico consiga combater a proliferação dos fungos antes que apareçam sintomas. Isso ocorre porque temos no organismo bactérias que combatem os “invasores”, privando-os nutrientes.

Às vezes, porém, esses mecanismos de combate falham. Quando estamos muito cansados ou logo após períodos de grande estresse emocional, por exemplo, nosso sistema imunológico – que foi muito solicitado por conta da tensão – pode ficar enfraquecido e tornar-se é incapaz de evitar as infecções por fungos. O uso prolongado de antibióticos destrói as bactérias úteis, permitindo que os microrganismos invadam a pele e mucosa.

Sinais como coceira, irritação e descamação da pele, vermelhidão, lesões em forma de frieira geralmente nos pés e entre os dedos (não por acaso chamadas de pé-de-atleta), em forma de impigem ou na virilha costumam indicar a presença de micose. Ninguém, porém, está fadado a conviver com a infeção. Deixar de lado soluções eventuais soluções e caseiras fazer logo uma consulta ao dermatologista é a providência mais indicada caso surjam sintomas. Atualmente, existem vários medicamentos eficazes e seguros que costumam ser recomendados pelos médicos. O tratamento costuma ser simples, mas exige persistência e regularidade. É comum que pacientes acreditem que o fungo está eliminado porque seus efeitos já não são visíveis, quando na verdade ainda está presente no organismo. Portanto, é importante que a pessoa não interrompa o uso do remédio quando se sentir melhor – apenas quando tiver alta médica.

Previna-se
  • Para se proliferar, o fungo precisa de calor, umidade – e pele, claro. Por isso, é importante praticar atividade física com roupas adequadas, leves e que favoreçam a secagem rápida do suor, evitando que os microrganismos tenham tempo para se disseminar.
  • Peças apertadas ou adereços (bijuterias, por exemplo) que possam causar algum desconforto ou mesmo pequenas lesões cutâneas? Nem pensar. Os fungos se alimentam de pele e a descamação provocada pelos ferimentos ou irritações, ainda que superficiais, ajudam em sua multiplicação.
  • Outra providência para quem quer manter a micose longe é cultivar o hábito de se enxugar cuidadosamente depois do banho. Dedos dos pés, virilha, axilas e qualquer dobra de pele merecem atenção especial.
  • Por mais confortáveis que sejam seus tênis, vale a pena deixá-los de lado quando não estiver treinando ou competindo. Para deixar que seus pés respirem, use chinelos ou sandálias, desde que não sejam de plástico, poiso o material favorece a transpiração.
  • Como alguns tipos de fungos podem ser transmitidos, recomenda-se evitar o compartilhamento de qualquer vestuário. Adquira seu próprio chinelo, roupão e até chapéu.
  • Alicates e cortadores de unhas também podem transmitir fungos causadores da micose. Cada pessoa deve ter seu kit.
  • E mais: Evite banhos muito quentes que podem ressecar a pele, abuse dos cremes, procure não andar descalço em lugares públicos e não compartilhe roupas, bonés e toalhas com outras pessoas.