É muito comum ouvirmos atletas relatando situações de câimbras na corrida. A câimbra associada ao exercício, é aquela que acontece durante ou imediatamente após a prática de atividade física. Ocorre principalmente durante os esportes de longa duração, acomete corredores, ciclistas, triatletas. Ela é uma contração súbita, involuntária, que causa dor e pode atrapalhar o desempenho esportivo ou mesmo tirar o atleta da prova.

Esse tema ainda causa muitas discussões e desafios para a ciência do esporte. Neurocientistas e fisiologistas que estudam essa condição, relatam duas hipóteses para sua causa:

  1. Desidratação e desequilíbrio de eletrólitos
  2. Controle Neuromuscular Alterado

A hipótese mais defendida atualmente é que a câimbra pode ser causada por “controle neuromuscular alterado”. Ao praticarmos atividade física, nosso corpo pode chegar a um estado de fadiga. Quando isso acontece, o controle do sistema nervoso sobre as contrações musculares sofre alteração. O resultado é o “disparo” excessivo dos motoneurônios que inervam os músculos.

A fisioterapia atua orientando os pacientes que durante a ocorrência da câimbra, o alongamento imediato é a melhor solução. Ao realizar o alongamento, através de receptores presentes em tendões e músculos, informações de relaxamento são enviadas aos motoneurônios para que ocorra o relaxamento da musculatura!

Estar bem treinado, seguir as orientações de seu professor de educação física que monta seus treinos e dias de descanso, seguir orientações nutricionais de hidratação e alimentação podem ajudar na prevenção das câimbras!

Bons treinos!!!

 

 

Fonte:
Cause of Exercise Associated Muscle Cramps (EAMC) — altered neuromuscular control, dehydration or electrolyte depletion? Br J Sports Med 2009;43:401–408.
Non-drug therapies for lower limb muscle cramps (Review). Cochrane Database of Systematic Reviews 2012, Issue 1.
Muscle cramps: A comparison of the two-leading hypothesis. Journal of Electromyography and Kinesiology 41 (2018) 89–95.

Fisioterapeuta especialista em Ortopedia e Esporte pela UNIFESP e em Fisiologia do Esporte pela USP, Fernanda é também especialista em Terapia Manual pela Curtin University/Austrália. Corredora de montanha desde 2014, tendo concluído várias provas de 12, 21 e 50km.