Você já sabe que para não prejudicar a performance, nem trazer lesões futuras, o calçado deve estar adequado às características biomecânicas do esportista. Mas hoje, diante de tantas possibilidades, ofertas e designers, como escolher um tênis de corrida?

Enquanto nos tempos atuais o excesso de opções confunde o corredor amador na hora da compra, no passado a história era bem diferente. Nem sempre a prática esportiva teve produtos especialmente pensados e produzidos para contribuir com a saúde e desempenho dos atletas. Na Antiguidade, competir sem sandálias com tiras de couro era sinal da força do competidor. Os atletas corriam a maratona descalços. Durante toda a Idade Média e Moderna os calçados serviam apenas para proteção. Foi no século 19 que os sapatos esportivos começaram a tomar a forma mais próxima daquela que conhecemos hoje.

De 1890, quando foi criada a primeira empresa especializada na fabricação de tênis, até os dias de hoje, esses companheiros de corrida foram se tornando cada vez mais leves, arejados, resistentes e “inteligentes”. Nas últimas décadas, principalmente, o aumento da oferta e o surgimento de modelos tecnológicos atendem à crescente demanda de uma população mais ativa.

Mas como escolher entre tantas opções de modelos e cores? Além da necessidade de ser adequado ao tipo de pisada, outro ponto a ser considerado é o uso que será dado ao calçado. Baseados nisso, os tênis se dividem em categorias:

– Amortecimento: são modelos com tecnologia para absorver parte do impacto com o solo, indicados para corredores de pisada neutra e supinadores. Opção daqueles que estão iniciando na corrida e ainda não têm o sistema locomotor fortelecido, e também para corredores mais pesados ou para treinos mais longos. Exemplo: Mizuno Sky, Nike Vomero, Saucony Ride, 361 Meraki,  Asics Nimbus, Adidas Energy Boost, Olympikus Pride

– Estabilidade: indicados para corredores de pisada pronada e neutros, oferecem boa combinação entre estabilidade e amortecimento. Exemplo: Asics Kayano, Saucony Kinvara, Adidas Ultraboost

– Leveza: com peso na faixa de 250g, são indicados para treinos curtos, de velocidade e competições. Não devem ser usados por iniciantes sem fortalecimento do sistema locomotor adequado. Exemplo: 361 Chaser, Skechers Go Run,

– Trilha: mais robustos e pesados, servem para terrenos irregulares. Apresentam solado especial, com maior aderência. Exemplo: 361 Overstep, Saucony Peregrine, Salomon S-Lab Sense

Na hora da compra

• O melhor horário é no fim do dia ou após o treino, quando o pé está mais inchado.

• Para corrida o indicado é sempre comprar um número maior do que o que você está acostumado, deixando pelo menos 1,5 cm de folga na ponta para evitar apertos.

• Experimente com o tipo de meia que você normalmente corre.

• As costuras não devem apertar ou ficar em cima de regiões de muito atrito durante o movimento; a parte de trás do tênis deve ser macia e sem costuras que possam causar bolhas.

• Prefira os tênis mais leves; os pesados ou duros demais podem prejudicar os músculos e articulações.

• Nunca estreie um tênis em uma prova; amacie o calçado e acostume-se com ele, usando-o para treinos e no dia-a-dia por pelo menos 3 semanas.

• Lembre-se que existem tênis para treino e para competições; os de competições são muito leves, mas a leveza sacrifica o amortecimento. Se você é um corredor alto e pesado é desaconselhável que opte por esses modelos.

 

Consultoria: Evaldo Bosio, fisioterapeuta com atuação em fisioterapia ortopédica e esportiva e reeducação postural global