Enquanto digito essas linhas, sobrevoo o Atlântico. Acabo de completar 4 horas de voo e o sono ainda não veio. Resolvi aproveitar as emoções do momento para escrever um pouco sobre as situações que vivi ao começar a correr, a minha história com a corrida, algo que prometi fazer da última vez em que por aqui estive.

Mas o que essa viagem tem a ver com isso? Bom, meu destino é Portugal. Foi em Portugal que assisti a primeira prova ao vivo da minha vida (claro que assistia à São Silvestre pela TV desde criancinha). Foi em Portugal que percebi, pela primeira vez, que uma prova não é emocionante apenas para a elite, foi ali, próximo à Torre de Belém, que acompanhei de perto a emoção dos últimos participantes e achei tudo aquilo muito fantástico. Na época, eu estudava em Coimbra, mas passeava por Lisboa numa manhã de domingo, quando me deparei com o final de uma prova. Uma corrida de “apenas” 5km, mas que mexeu muito comigo.

Era janeiro de 2007 e sentia que voltar a praticar esportes poderia ser uma boa para o momento que eu vivia. Fazia um tempinho que tinha voltado para a musculação, mas naquele inverno brutal, não tinha vontade de ir ao ginásio. Um dia, resolvi vestir um conjunto de moletom (muito antiga ela), calçar um par de tênis  e seguir para o parque. Corri por 50 segundos e pensei que ia morrer – juro que pensei isso!

Não vou mentir e dizer que sei a data exata dessa tentativa de iniciar na corrida. Sei que era Janeiro, que estava perto do horário do pôr do sol, estava de folga do trabalho e da faculdade. Corri por 50 segundos – como se estivesse indo salvar a vida de alguém – e fiquei sem ar, me deitei na grama do Parque Verde do Mondego e fiquei imóvel por um tempo. Resolvi ir embora pra casa. Quando estava quase saindo do parque e me sentindo muito derrotada, voltei. Bebi um pouco de água, respirei fundo e resolvi sair um pouco mais devagar. Quando senti que meu coração ia saltar pela boca, parei de correr, olhei no relógio e havia se passado 1’30”. Menos de 2 minutos e eu já estava quase tendo um segundo colapso! Correr, definitivamente, não era pra mim.

Saí do parque me sentindo mais do que derrotada. Ao atravessar a avenida, começou a chover. Frio, chuva e frustração. Que combinação para quem pensava que iria começar um novo esporte! Minha história com a corrida poderia ter acabado ali. Naquele quarto da pensão, em Coimbra, Portugal. Mas a vida é massa e sempre nos dá outras chances. Por isso, vamos adiantar esse tempo e chegar em abril de 2008. Sei que estava prestes a me formar, naquele desespero de emagrecer para entrar num vestido e minha mãe me chamou para “correr a sério”. Fiquei pensando o que seria esse tal de “correr a sério”. Mas ela me explicou que em Itabirito, um amigo meu de infância estava montando uma assessoria de corrida e que ia ser legal treinarmos com ele. Apesar de todo o meu trauma com a primeira tentativa de correr, lá fui eu, de shortinho de corrida, um Prorunner nos pés e muita vontade de superar o fracasso de Coimbra.

Aprendi que não precisava sair desembestada, como se fosse tirar o pai da forca. Entendi que precisava manter a postura e que deveria mesclar caminhada e trote para conseguir treinar por um tempo razoável. Passei 2 semanas treinando presencialmente com o grupo e logo precisei voltar a BH, à minha rotina de quase formanda. Passei a treinar à distância, na esteira da academia. Preferia mil vezes a esteira a me arriscar nas ruas de BH. O impacto também contava muito e, para quem tem uma má formação nos joelhos, um ligamento do pé por um fio e frouxidão nos ombros, a esteira trazia mais segurança.

Foi treinando na esteira durante a semana, que cheguei na minha primeira prova de rua. A tal primeira prova foi um revezamento de 12km, em que ninguém quis formar equipe comigo e a minha mãe e acabamos fazendo uma dupla e intercalando os 4 trechos de 3km. Coração na boca, um percurso cheio de subidas e descidas, um puta escorregão num sachê de gel perdido pela avenida (desde essa época os corredores eram porquinhos) e completamos a prova com um sorriso tão grande no rosto, que não queríamos saber de mais nada. Aquele era o nosso esporte e ninguém poderia dizer o contrário. Foi ali, na Super 12, que o bichinho da corrida me pegou e não largou mais.

De lá pra cá, não sei quantas provas corri. Sei que fiquei até 2011 só nas provas de 5km porque tinha medo de aumentar a distância. Mas quando resolvi sair dos 5km, fui logo para os 16km (10 Milhas Puma), depois 18km (Volta Internacional da Pampulha) e exatamente 6 meses após ter feito os primeiros 16km, lá estava eu, estreando nos 21km na primeira Golden Four da história. Sim, a Golden Four estreou em BH, no dia 1.º de Abril de 2012 – e não é mentira – e lá estava eu, ao lado da minha mãe, alinhada para a largada. Depois dessa estreia, a corrida se tornou algo muito sério na minha vida (foi ali que o bicho pegou).

Até que em 2015, a Mizuno resolve lançar a Mizuno Uphill Half Marathon. Eu era alucinada com a Uphill e nunca quis correr Maratona. Mas correr 25km na estrada dos meus sonhos fez com que o coração batesse mais forte.

A história da Uphill é longa e vai ganhar um post especial. O importante é que foi após essa prova que eu e a corrida começamos a nos afastar…

No próximo post por aqui, vou contar uma história linda de uma pessoa que me emocionou muito. Inspiração pura. Se você quiser ver a sua história por aqui, clique neste link e me conta um pouquinho sobre você! Amo contar histórias de pessoas que me inspiram. E realmente acredito que pessoas comuns como eu e você podem e devem inspirar outras pessoas na prática de esportes!

É relações Públicas por profissão e corredora por opção.

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