Volta e meia nos deparamos com notícias de atletas amadores que vieram a falecer em provas ou treinos. Mas correr pode ser perigoso e trazer mais risco do que benefícios? Embora a prática de atividade física esteja associada à prevenção de doenças cardíacas, além de outros problemas, como a obesidade, diversos estudos já apontaram para os prejuízos ao coração causados pelo excesso de exercícios de resistência. Um deles, realizado nos Estados Unidos, sugere claramente que exageros e falta de acompanhamento especializado podem ser maléficos.

Segundo os pesquisadores, as pessoas que vivem por mais tempo são as que fazem uma quantidade moderada de exercício. O artigo científico foi publicado na revista especializada Health Day. Foram acompanhadas quase 4 mil homens e mulheres com idade média de 46 anos, no Instituto de Pesquisa Cardiovascular Lehigh Valley, na Pensilvânia. Cerca de 70% dos voluntários afirmou durante as entrevistas correr mais de 32 quilômetros por semana. Os especialistas querem aprofundar o estudo, mas já trabalham com a hipótese de que o excesso de exercícios causa desgastes prematuros do organismo. Outro artigo publicado pelo periódico científico Mayo Clinic Proceedings , apresenta uma revisão da literatura médica existente sobre o assunto e aponta que a prática intensa de atividades afeta a saúde cardíaca. Os autores da pesquisa ressaltam que provas de longa distância – como maratonas, competições de ciclismo e triatlo – que exigem muito e podem provocar alterações no coração e causar lesões no órgão, o que aumenta o risco de problemas cardiovasculares graves. Foram considerados resultados de pesquisas recentes que mostraram que treinos de resistência cardíaca podem, por exemplo, endurecer as paredes das artérias e elevar os níveis de biomarcadores cardíacos (que são substâncias específicas que o corpo produz quando tem alguma doença).

Em muitos casos, esses efeitos são temporários e o corpo se recupera após uma semana. Porém, pessoas que praticam frequentemente atividades intensas, após meses ou anos de lesões repetitivas, esse processo pode desencadear o aumento do risco de uma arritmia cardíaca (descompasso dos batimentos) ou de uma morte súbita. “Embora obviamente não seja uma droga, o exercício físico tem muitas características de um agente farmacológico potente”, afirma o cardiologista americano James O’Keefe, um dos autores do estudo. Segundo ele, a prática de atividades físicas costuma funcionar de forma terapêutica, mas é preciso lembrar que, como ocorre com qualquer medicamento, existe uma quantidade segura. Treinar diariamente por períodos de 30 a 60 minutos costuma ser saudável. O’Keefe reconhece que, proporcionalmente, há poucos os casos de mortes decorrentes de exercícios intensos e que as pessoas fisicamente ativas são geralmente mais saudáveis do que as sedentárias. Mas deixa um alerta: “Os efeitos nocivos do excesso de atividade podem superar os benefícios da prática”.

Para aproveitar ao máximo o melhor que a corrida pode trazer para saúde, a regra básica é aquela bem simples e conhecida por todos: mantenha seus exames em dia, o ideal é fazer um check-up anual; treine com orientação técnica e siga as orientações dos especialistas das áreas de saúde e educação física, seja para iniciar nos 5km ou correr uma maratona. Nosso corpo é um organismo em constantes mudanças, alterações, adaptações, influenciadas pela nossa genética, nossa rotina, pelo ambiente em que vivemos. Mesmo quem já superou as distâncias dos 21 ou 42 km não está isento de atualizar seus exames médicos regularmente.