Sem heresia, correr na Terra Santa é uma benção. A Maratona de Jerusalém, que acontece anualmente na primeira quinzena de março, foi criada em 2010 e a cada ano cresce em número de participantes, principalmente turistas que buscam unir corrida e viagem a um dos berços da civilização. São mais de 30 mil participantes nos diferentes percursos oferecidos pelo evento: maratona (42,2 km), meia maratona (21,1 km), corrida de 10 km, corrida de 5 km, corrida da família de 1,7 km e uma corrida beneficente com 800 metros. Apesar dos conflitos tradicionais da região, tão divulgados pela mídia mundial, correr em Jerusalém é agradável e seguro. O Jornal Corrida teve a oportunidade de participar das edições de 2014 e 2015 e “a imagem que fica de Jerusalém é marcante! Inesquecível”, conta Roberta Palma, publisher do Corrida que correu a Meia Maratona, nos dois anos. “Muitas pessoas se sentem inseguras de ir para lá, mas é como o Rio – a mídia mundial só divulga os conflitos. Nunca me senti tão segura e bem como lá. Os moradores tomam as ruas, apoiando, incentivando e prestigiando os atletas. E se descobrem que você é estrangeiro, valorizam o fato de você ter ido conhecer o país deles. Sou suspeita, correr em Jerusalém, é lindo! Entrar na cidade velha e correr por aqueles 2 km, onde passaram mais de 2 mil anos de história do mundo, é uma emoção sem igual. Vi atletas chorando compulsivamente naquele pequeno trecho da prova que corta os muros de pedra desta área”.

Por que correr em Jerusalém?

– Porque você está num dos berços da história e da civilização mundial. Além disso, Jerusalém é uma cidade que recebe muito bem o turista.

– Não tema por sua segurança. O que há de melhor e mais avançado em inteligência e tecnologia de defesa está ali.

– A cidade une o tradicional e o moderno na medida certa. Por trás dos muros da cidade velha, a tradição, a história, o respeito e a valorização do passado e das diferenças. Do lado de fora, uma cidade contemporânea, limpa, vibrante, seus cafés e centros comerciais que nos remetem a grandes metrópoles europeias como Milão ou Amsterdam.

– A estrutura e organização. Apesar de ter sido criada apenas em 2010 a prova dá um banho em organização: da expo, entrega de kit, qualidade da camiseta, estrutura de arena, apoio de percurso, tudo num padrão qualidade elevado. Deixa as principais maratonas brasileiras anos-luz de distância.

Com o que se preocupar quando for para Jerusalém

– O perfil altimétrico da prova é um sobe-desce sem fim.

– O clima. Estamos na região desértica, então é bem seco. No horário da largada é bem frio, depois esquenta bastante. “Nas duas vezes em que corri lá, larguei com temperatura abaixo dos 5 graus e cheguei com mais de 25”.

Para quando você for

– A Maratona de Jerusalém acontece sempre no mês de março. Em 2019 será no dia 15 e em 2020, dia 13. As inscrições e todas as informações sobre o evento podem ser acessadas pelo site www.jerusalem-marathon.com.

– Ir para Jerusalém não requer visto.

– Aproveite que você vai fazer uma viagem tão longa e conheça o país.  Lugares como as ruínas de Masada, o Mar Morto, Jaffa, Tel Aviv, ficam bem próximo a Jerusalém e valem a visita. Tel Aviv é a Barcelona do Oriente Médio, à beira-mar e cosmopolita.

– O pacote com passagens aéreas (não existe vôo direto, apenas com conexão via Europa) e hospedagem varia de R$ 4 mil a R$ 8 mil, conforme a quantidade de dias e tipo de acomodação.  Dependendo da conexão é possível demorar mais de 21 horas de São Paulo até Tel Aviv (porta de entrada de Israel). Por isso, como a prova acontece às sextas-feiras (e não aos domingos como no Brasil), o ideal é você sair no máximo na 3ª. feira para ter pelo menos um dia de descanso antes da competição.

– Israel não é um país caro. A moeda local é o shekel (equivale a aproximadamente R$ 1,50).

– Come-se muito bem. O suco de romã vendido nas ruas é delicioso, uma tradição local. Falafel, cordeiro, saladas; a alimentação tradicional lá dispensa industrializados, é leve e muito saborosa. Ah! Importante: a prova acontece na 6ª. feira que lá é dia do Shabbat. Isso significa que a partir das 14h da 6ª. feira todo o comércio fecha – inclusive restaurantes e lojas de conveniência. Apenas alguns locais bem turísticos abrem. A dica para o almoço pós-prova é ir na First Station, antiga estação ferroviária da cidade que hoje abriga um centro comercial com lojas descoladas e excelentes restaurantes. Informações no site http://firststation.co.il