Elas estão cada vez mais presentes, seja no treino ou nas competições. As meias compressivas se tornaram uma verdadeira febre entre os corredores. Mas, será que esses acessórios influenciam mesmo no desempenho?

“O objetivo dessas meias é favorecer o retorno venoso da circulação, colaborando com o músculo da panturrilha”, afirma a fisioterapeuta Andrea Kayo, de São Paulo, mestre em ciências da saúde e especialista em fisioterapia ortopédica e traumatológica. A especialista observa que “elas são semelhantes àquelas usadas por pessoas com problemas circulatórios”.

Andrea lembra que alguns estudos científicos já foram realizados para descobrir a eficácia das meias. Em um deles, um grupo de homens corredores treinados foi submetido a um teste gradativo na esteira até a exaustão máxima, com e sem a meia abaixo do joelho. O resultado mostrou que os primeiros apresentaram uma pequena melhora no consumo máximo de oxigênio e suportaram mais tempo (um minuto a 26 segundos) no teste de esforço. Entretanto, estas diferenças não foram estatisticamente significantes a ponto de afirmar a sua eficiência.

As versões atuais são mais esportivas, confeccionadas em algodão. “Para o efeito de compressão há aplicações em fibras sintéticas de poliamida e elastano. Porém, essas meias são diferentes daquelas utilizadas em casos cirúrgicos”, comenta Andrea. O médico vascular é o profissional mais adequado para  avaliar a real necessidade do uso, assim como o grau de compressão indicado em cada caso. “O uso sem orientação pode trazer sérias complicações, não só no desempenho como também pode interferir na boa saúde do atleta”

De acordo com a fisioterapeuta, caso não hajam problemas circulatórios, um reforço muscular na panturrilha é o ideal,  pois impulsiona as passadas, favorecendo a boa circulação, minimizando inchaço e dores causadas por acúmulo de ácido láctico.

 

Adeus às câimbras e peso nas pernas

O corredor paulistano Heitor Rocha usa as meias em treinos e provas longas, com duração acima de duas horas. “Resolvi testar após ler algumas reportagens e ver as pessoas usando. Comprei para testar e ver se sentiria alguma diferença e, para mim, funcionou.”

Ele diz que antes de começar a usá-las sentia câimbras na panturrilha em provas longas, como maratonas. “As meias ajudaram retardando as dores nessa região, mas não vi efeito na recuperação pós-prova”, conta o triatleta, adepto do produto há mais de dois anos.

Ao comprar o produto, a pessoa deve procurar por especificações técnicas, uma vez que o tamanho deve ser adequado, assegurando que a compressão não esteja muito forte, nem fraca demais. Esse cuidado é fundamental, pois a meia pode machucar ou causar lesões devido ao atrito durante o exercício.

Para Ana Flores Correia, atleta amadora, às meias de compressão entram na lista de acessórios de corrida após os 45 anos. “Sofro com minhas varizes, mas não usava meias até o médico vascular sugerir. Desde que passei a usar, a resposta das minhas nos treinos e provas mudou. Antes sentia um peso, era como correr aqueles pesos de academia pendurados no tornozelo. Agora, com as meias, não. Meu rendimento é outro”.

Estudos realizados com corredores após uma ultra-maratona da África do Sul mostrou que os atletas que correram usando as meias tiveram menor dano no tecido muscular e melhor recuperação pós-prova em relação aos que não usaram. Mas assim como o modelo e marca de tênis, o uso de meias de compressão é uma opção pessoal (quando não indicada por motivos médicos). Então, vale testar e optar pelo o melhor para você.