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Ultra Fiord, experiência surreal – por @betapalma

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por Roberta Palma

Este relato é um resumo do que se passou nas montanhas durante as 61 horas que fiquei no percurso da Ultra Fiord 2018. Ao longo dos últimos dias escrevi várias narrativas. É muita coisa, muita informação, emoção, sensação, experiência. Por fim, resolvi me ater ao que me tirou de lá, a praticidade e o foco. Foram horas ininterruptas num exercício de força e paciência – muita paciência. Ninguém melhor do que o poeta chileno Pablo Neruda, um de meus preferidos, para expressar tudo o que vivi de forma tão poética quanto objetiva: “Se cada dia cai, dentro de cada noite há um poço onde a claridade está presa. Há que sentar-se na beira do poço da sombra e pescar luz caída com paciência…”. Foram 61 horas “pescando” luz na escuridão. Boa leitura…

“Em abril de 2017, quando decide fazer os 50k na Ultra Fiord, escolhi esta prova e distância por uma série de motivos, entre eles a paixão e o encanto pela região da Patagônia chilena e a segurança de estar num local relativamente conhecido. Um lugar imprevisível e temperamental (como eu…rs), mas onde me sinto bem, em casa (não me perguntem o porquê, deve ser de outra vida). Além disso, a distância a ser percorrida coincide com a idade que completo em dezembro deste ano.

Estive na Ultra Fiord em 2016 e 2017 e especificamente nessa região da Patagônia já havia corrido três vezes. Mas essa é uma prova de características únicas. Em 2016, o mau tempo dificultou a vida dos corredores em todas as distâncias e obrigou o cancelamento do percurso de 30K (onde eu estava). No ano seguinte, o evento foi impecável: apesar de muito frio, todos os percursos transcorreram sem grandes problemas para os atletas, o que contribuiu ainda mais para que eu decidisse me inscrever na prova de 50K.

Incluir esse percurso no meu projeto #50antesdos50 (no qual pretendo completar 50 provas diferentes até meu aniversário de 2018, que iniciei em março de 2015, em Jerusalém), parecia perfeito. Seria a prova de celebração da vida! Da minha vida e dos meus anos 50. Um desafio em gratidão a todas as bênçãos que tive o prazer de receber ao longo de meio século. Mas ao decidir fazer esta prova sabia que precisaria me organizar (e muito!) para conquistar este objetivo.

Minha preparação para a prova começou com antecedência de seis meses. E quando digo preparação não estou falando apenas de treino de corrida. Foram 180 dias de quilômetros e quilômetros correndo, séries e mais séries de exercícios de fortalecimento, sessões semanais de fisioterapia, orientação nutricional e, principalmente, muito estudo e preparo mental e emocional.
Óbvio que não é possível prever o que pode acontecer numa região de natureza tão inóspita e selvagem, mas procurei ler, pesquisar e fazer exercícios de visualização, na tentativa de antecipar o que estava por vir. E foi graças a todo esse treinamento que sai dessa experiência viva e, literalmente, apenas com uma unha quebrada.

“Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências”, Pablo Neruda

AS 10 PRIMEIRAS HORAS

Nos dias que antecederam a viagem, lembro-me que, conversando com a Fernanda Rizzo (minha fisioterapeuta, que também estava nos 50k), disse: ‘Fer, fica tranquila, no dia 3 o tempo vai estar lindo! Sem chuva, sem neve’. E às 9h20 quando largamos em frente ao hotel Rio Serrano, a temperatura estava até mais agradável que nos anos anteriores. Os primeiros 20 kms foram perfeitos. Tudo dentro do esperado. Visual incrível, clima bom… No Chacabuco, parte mais alta do percurso, próxima aos glaciares, a temperatura baixou um pouco e caiu neve, o que deixou o visual ainda mais espetacular.

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arquivo pessoal

Passei pelo posto de assistência El Salto por volta do km 22, pouco depois das 18h. Peguei água, o visto no meu passaporte de check-in e segui. Estava um pouco acima do tempo programado, mas – em princípio – dali em diante teria pela frente uns 7 km de charco e muitos de bosque, porém sem grandes variações de altimetria. Sentia-me super bem. Inteira.

Uma hora depois começou a escurecer. Sem parar, peguei minha headlamp, ajustei na cabeça e continuei. Até por volta das 20h continuei avançando. Foi logo após o km 28 que perdi as marcações da trilha. Segui a orientação mais indicada em provas trail para quando isso acontece: volte até a última marca que você viu. Engraçado que a última havia me chamado a atenção por ser um lacinho com a fita branca numa lasca de tronco de árvore. Voltei e nada. Não achava a fita. Voltei mais um pouco e nada ainda. Depois de 15 minutos decidi seguir e reencontrar as marcas mais à frente. Mas isso não aconteceu. Quando vi no relógio já marcava 22 horas, com mais de 32km. A esta altura, eu deveria ter passado por um outro posto de assistência. Peguei a outra headlamp de reserva e joguei luz em todas as direções na tentativa de achar o brilho fosforescente das marcas e nada. Olhei para o relógio GPS: 32.8 Km e eram 22h30. O tempo regulamentar do percurso iria até as 00h30.

ESPARADRAPO NAS ÁRVORES

Foi então que resolvi passar a noite na trilha. Desliguei o GPS para economizar a bateria. Naquele momento os quilômetros não importavam mais. Precisava ter noção das horas. Eu que tinha como maior preocupação ficar muito tempo pela trilha no período noturno, decidi permanecer ali a noite toda. Mas não queria me perder ainda mais e me afastar do percurso oficial da prova. Por isso, usei os esparadrapos do kit de emergência e marquei três árvores com eles. Era uma reta de uns 300 metros, aproximadamente. E foi entre os três troncos demarcados que caminhei até as 7h da manhã do dia seguinte – sem parar! Qualquer parada poderia me levar a hipotermia. Por isso, optei pelo movimento ininterrupto.
Enquanto caminhava, me distraia cantando músicas do Paralamas do Sucesso, Rita Lee e Tom Jobim. Entoava orações e meditações cabalistas.

Pensava em projetos profissionais em execução, planejava pautas para o Jornal Corrida. E, principalmente, lembrava de passagens inesquecíveis da minha vida ao longo de quase 50 anos e agradecia a cada uma delas. Transformei aquelas horas numa celebração de gratidão. Recordava momentos da infância, meus pais, irmãos. Os tempos de faculdade…Ano a ano, fui fazendo um carrossel de boas memórias. Por incrível que pareça, não senti medo ou desespero em nenhum momento. Nem mesmo quando um pouco de neve começou a cair durante a madrugada. Nessa hora, peguei as duas mantas térmicas que tinha na mochila. Fiz um “gorro” com uma delas, usando esparadrapo, e coloquei na cabeça. A outra, coloquei sobre a segunda pele e vesti o termoball, o anarok e o impermeável por cima. Com música, bons pensamentos e todos estes itens de segurança me mantive quente e focada até o dia clarear.

Foi entre os três troncos demarcados que caminhei até as 7h da manhã do dia seguinte – sem parar! Qualquer parada poderia me levar a hipotermia

Nunca pensei em viver nada disso, mas conforme as coisas foram acontecendo, procurei manter o foco em viver. Sair dali inteira. E me apegava a tudo que pudesse ajudar. A tudo que havia lido, escutado ou estudado sobre a prova e condições assim. Lembrava, por exemplo, do Marcelo Sinoca na Ultrafiord 2017 passando por mim (eu cobria a prova para o Jornal Corrida, não corri) no km 30 dos 160 dizendo: “Que noite agradável para correr, né gente?”. Olhava a lua linda que tinha no céu à minha direita e dizia: “Que noite agradável, Sinoca!”. E vinham as músicas: “Tendo a lua, aquela claridade aonde o homem flutua…”. “Eu hoje joguei tanta coisa fora…”.

E assim, mantendo minha mente positivamente no comando, vi o dia clarear num canto de um bosque cercado por cerros nevados. Sabia que tinha ido um pouco mais para a direita da trilha oficial quando perdi as marcações. Ao clarear sentei por 15 minutos. Já fazia mais de 23 horas que eu estava em pé e em movimento. Fiz meu café da manhã: uns 300 ml de recovery 4:1, três cápsulas de bcaa, uma porção de batata chips, uma porção de frutas secas e desidratadas. Dividi todo o alimento que tinha na mochila em porções. Separei em saquinhos e espalhei pelos bolsos do corta-vento. Um saquinho a cada uma hora. Seria essa a medida. Deram oito saquinhos de comida (sem contar os suplementos). Então eu teria que chegar a um posto de assistência em até oito horas. Alimentada, estava pronta para achar o caminho de volta para casa.

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arquivo pessoal
O CEMITÉRIO DE ARVORES E A FAMÍLIA PUMA

Quando voltei a caminhar em busca das marcações minha prioridade era retomar a direção do pico nevado de onde eu havia saído na tarde anterior e reencontrar as marcações oficiais do percurso. Andei por um bosque de árvores caídas que não tinha fim. A manhã acabou num piscar de olhos. Quando o relógio marcava 12 horas, minha sensação era de não ter saído do lugar. Neste momento gritei bem alto. O som ecoou pelo bosque e me veio à cabeça a imagem dos meus pais, já falecidos. Lembrei do que meu pai dizia quando íamos para rios e matas na infância: “Use a natureza a seu favor”. Foi com esse conselho que decidi esquecer qualquer outra hipótese e seguir o curso do rio. Resolvi usar a natureza a meu favor: considerei que o curso de água levaria a um fiorde com estâncias por perto e abandonei de vez a procura pelo percurso da prova.

Por volta das 13h passei por uma família puma. Mãe e filhote à beira do rio do outro lado da margem aonde eu estava. Alguém havia me dito que pumas não atacam pessoas, a menos que se sintam ameaçados. Como não queria que mamãe puma pensasse que eu era um risco ao seu pequeno, me afastei até sair da vista da família felina. Resolvi usar a natureza a meu favor: considerei que o curso de água levaria a um fiord com estâncias por perto e abandonei de vez a procura pelo percurso da prova.

Continuei com o rio à minha esquerda até que mais à frente três belas vacas holandesas me animaram. “Se tem vacas por aqui, não estou tão longe de uma estância.” Elas me olharam e atravessaram correndo para o outro lado do rio. Fiz o mesmo e continuei seguindo o ziguezague pelo bosque.

Eram mais de 15 horas da quarta-feira, faziam quase 30 horas que eu tinha largado no Hotel Rio Serrano, quando escutei um som parecido com galopes. Pensei que eram animais. Quando olhei à minha esquerda, do outro lado do rio, surpresa: eram corredores! Três atletas passavam pelo bosque. Reconheci o brasileiro Fernando Nazário entre eles pela sua roupa vermelha! “Nazario!!”, gritei. “Rô, cadê você, você está bem?”, ouvi meu amigo perguntar, ainda sem conseguir enxergá-lo direito em meio às arvores. “Agora estou! Sei que estou viva”, respondi. “Estou bem, vai embora, vocês são os primeiros a passar. Ganha esta prova, porra! Agora achei a trilha e sigo”.

O MUNDO É BÃO, SEBASTIÃO!

Atravessei o rio e finalmente encontrei a trilha e suas marcações. Eram 15h43. Fui descendo pelo caminho, enquanto corredores que faziam a prova de 42K passavam por mim. Um atleta chileno parou ao me ver mancando, perguntou se eu já tinha me machucado. “Não, sou dos 50K, passei a noite perdida na montanha, encontrei só agora o percurso!”. Com olhar assustado, tentou me tranquilizar dizendo que estava a menos de 1 km do posto de assistência do km 30. Disse que avisaria que havia me encontrado e pediria ajuda. Minutos depois passou minha amiga chilena Cindy Ramirez que não escondeu a emoção ao me ver viva, caminhando no meio da trilha. Queria me acompanhar, mas não deixei. Ela era a segunda colocada entre as mulheres. Me deu um forte abraço e seguiu.

Poucos metros à frente, veio em minha direção um jovem do staff, com uma enorme mochila de primeiros-socorros nas costas. “Você é a Roberta?”, perguntou. “Sim, vivinha da Silva”, respondi. “Eu sou o Sebastian e vou te acompanhar”. Quando ele se apresentou, não sabia se ria ou chorava, mas só pensei em silêncio: “Você só podia ser Sebastian, com certeza!” (o nome do meu pai era Sebastião, um conselho dele me fez seguir o rio que me levou de volta a trilha e agora, um xará dele chegava para me ajudar).

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Os anjos Raul, Gastón e Sebastian
arquivo pessoal

Andamos mais uma hora e, finalmente, com quase 24 horas de atraso cheguei ao posto do Km 30. Lá dois jovens do staff, Raul e Gastón, já me esperavam. Tinha fogueira e água quente para uma sopa e um noodles. Nunca tomei um caldo de saquinho, tipo Knorr, tão maravilhoso!! Sentei à beira da fogueira, peguei meias secas e limpas que tinha na mochila (eram as que havia levado para guardar as pilhas das hedlamps, pois tinha lido que guardando em meias quentes e secas elas não descarregariam. Foi uma sorte tê-las). Tirei o tênis e as meias encharcadas e coloquei para secar na fogueira. Enquanto isso, coloquei as meias secas e Gaston me emprestou um tênis dele para caminhar por ali.

Passava das 18h quando terminei de comer e não tinha condições de continuar naquele momento. Ao parar, as câimbras tomaram conta do meu corpo, dos pés até os ombros. Como havia duas barracas no local, perguntei se poderia passar a noite ali com eles e seguir no dia seguinte. A prova de 50K da Ultra Fiord já tinha acabado fazia tempo. Agora, finalizar o percurso era sobreviver, não mais cruzar a linha de chegada de uma prova trail. Por isso, queria me recuperar um pouco das mais de 30 horas sozinha na trilha antes de encarar os últimos 20 km. 

A prova de 50K da Ultra Fiord já tinha acabado fazia tempo. Agora, finalizar o percurso era sobreviver, não mais cruzar a linha de chegada de uma prova trail.

Prontamente, eles disseram que eu poderia ficar e dormir na barraca deles. Sebastian seguiu o trajeto, pois seu ponto era em Rio Tenerife, uns 7 km para frente. Gaston gentilmente me cedeu seu saco térmico de dormir. Ele e Raul ainda ficariam fora da barraca até passarem todos os atletas dos 42 km. A noite foi longa e dolorida. Com muitas câimbras por todo o corpo. Amanheceu por volta das 7 horas, mas só saímos da barraca depois das 12h. Chovia e nevava lá fora. Meus dois anjos não me deixaram sair da barraca. Enquanto saíram para acender a fogueira e fazer café, fiquei me alongando e massageando as pernas e pés. Avisaram pelo rádio que os 70 Km haviam sido cancelados devido ao mau tempo na montanha. Ou seja, naquele dia não haveriam atletas pela trilha. Então os rapazes resolveram me acompanhar até o próximo ponto para garantir minha segurança.

Comi, tomei café quente e partimos. Eram quase 13 horas. Chegamos no posto Tenerife só as 16h30. O bosque entre os dois pontos era de uma trilha surreal! Muitas árvores caídas, sobe e desce e barro sem fim. Mas seguimos por ele cantando. Gaston é fã de bossa nova. Então, puxava músicas ou simplesmente assoviava aquelas melodias tão familiares. Em Tenerife, Sebastian e o jovem David me esperavam. David me preparou mais café e noodles. Pedi chocolate (lembrei da minha nutricionista Anielle D’Angelo dizendo: leve um chocolate ou algo que você goste muito, use de “comfort food” para um carinho nos momentos difíceis). Enquanto comia, Raul e Gaston abasteceram sua mochila de alimentos e voltaram para seu posto de trabalho. Me despedi deles com um carinho de tia. Lembrei de meus sobrinhos…Os dois são tão jovens quanto eles. Passariam mais noites na trilha para apoiar atletas de outros percursos nos próximos dias. Meninos barbados de alma brilhante.

Terminei de comer e segui com Sebastian e David. Já passavam das 18h de quinta-feira. Eu havia largado no Rio Serrano às 9h20 da terça-feira. De Tenerife para a frente viriam os famosos quilômetros de charco da Ultra Fiord. Os dois staffs me acompanhariam até um ponto, onde encontraríamos as meninas que saíram da Estância Perales, chegada da prova. Do ponto de encontro seguiria com elas, enquanto Sebastian e David retornariam para seu posto.

Caminhei com eles por trilhas e charcos até por volta das 19h. Ainda estava claro quando encontramos Daniela e Carla pelo caminho. Me despedi dos dois rapazes e seguimos. Mal sabia o que ainda viria. Foram mais de 7 kms de charco e barro. Alguns trechos mais pareciam areia movediça. Afundavam as duas pernas até metade das coxas. Para sair, só com muita força agarrando nas raízes e vegetação rasteira pelas laterais. Cai mais de seis vezes. Depois de mais de 50 horas pelo percurso, minhas pernas não respondiam mais. As meninas pacientemente me esperavam e ajudavam nos momentos mais complicados. Mas, às vezes, nem elas podiam ajudar pois estávamos todas atoladas. Depois de mais de 50 horas pelo percurso, minhas pernas não respondiam mais.

Soube que muitos atletas do 50 e 42 km terminaram o percurso em grupo, pois as dificuldades em achar a marcação e sair do barro começou a dificultar para todos, então a solução era reunir forças. Nos 42 km o grupo final tinha mais de sete atletas de diferentes países. Ao comparar os tempos de prova dos 50 km em 2017 e 2018, fica claro o quanto o percurso estava mais “pesado” este ano pelas condições naturais. Quando chegamos à pastagem sabia que faltavam pouco. Mas aquela altura, com quase 60 horas na montanha, quaisquer 100 metros eram uma eternidade. Depois viria um último rio e aí já era a Estância Perales, chegada dos 50 km. Ponto final.

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Finalmente na Perales com Daniela e Carla
arquivo pessoal

Por volta das 23 horas da quinta-feira, 5 de abril, cruzei o rio que, em meus planos, eu queria ter cruzado lá pelas 19h da terça-feira, dois dias antes. Demos as mãos, Daniela, Carla e eu, atravessamos e já era possível ver a casa da Estância Perales que servia de apoio e abrigo durante o evento. Com exceção da tenda azul e amarela (aquela mesma que em 2016 recebi a medalha dos 30 km no km 18 por suspensão da prova devida à neve), não havia mais nada que indicasse a realização da Ultra Fiord por ali. Dentro da casa, Duncan, outro jovem do staff, e um estancieiro nos esperavam ao lado de um fogão a lenha.

Das 9h20 da manhã do dia 3 até as 23h do dia 5 de abril, vivi a experiência mais surreal de minha vida! Lembro-me que em 2017 escrevi algo sobre a Ultra Fiord nos colocar em contato com nossos anjos e demônios. Ao longo dos 180 dias de preparação para a prova aprendi que a alegria atrai os anjos e espanta os demônios… rsss. Apesar de todas as dificuldades, de tudo o que vivi, não vi nenhum demônio me assombrar pelo caminho. Não mesmo! Alimentei os anjos por 61 horas, com muita alegria e gratidão, com música, pensamentos e imagens positivas. E eles não desgrudaram de mim nem por um minuto. E me garantiram chegar até aqui para compartilhar esta experiência!

Apesar de todas as dificuldades, de tudo o que vivi, não vi nenhum demônio me assombrar pelo caminho. Não mesmo! Alimentei os anjos por 61 horas.

Felizmente, me preparei da forma adequada por seis meses. “O espirito deseja, a mente comanda e o corpo age.” Mas os três (espírito, mente e corpo) precisam estar preparados e alinhados para isso. E felizmente eu fiz a lição de casa.

É tanta gente para agradecer: meu treinador Camilo e equipe Run&Fun, minha fisioterapeuta Fernanda Rizzo, a nutricionista Anielle D’Angelo e toda a turma do Studio Ready4 (Lu, Keila e cia), ao Thiago Flose e todos os professores da Gustavo Borges Academia, meus mestres cabalistas Daniel e Ian, minha família, ao Sinoca e ao Nazário por dicas preciosas. E Raul, Gaston, Sebastian, David, Daniela e Carla, nunca mais em minha vida esquecerei o rosto, o gesto, o cuidado de vocês! Muito obrigada é pouco! Gratidão é pouco! Lembrarei e pedirei por vocês pelos meus próximos 50 anos de vida!

‘Ultra Fiord, uma jornada épica pelo mágico mundo dos fiordes da patagônia chilena’. Mais que um slogan esta frase é pura realidade. Ao menos para mim e para a maioria dos atletas que estiveram nesta surreal etapa de 2018!

Ah, Ultra Fiord! Eu me apaixonei por você assim que te conheci, mas descobri que esta relação é platônica. Por duas vezes estivemos juntas, mas não deu…Sigo encantada por você e sua selvagem beleza, mas me despeço de sua intempestividade. Estou cinquentona, e “quero a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida…” Que venham novas trilhas, desafios e amores….”

É jornalista por formação, marketeira por vocação e esportista por amor. Criou o JORNAL CORRIDA por acreditar que a prática esportiva é uma ferramenta de formação do indivíduo e de promoção de saúde e qualidade de vida.

Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores, não necessariamente refletem a opinião e posição do Jornal Corrida.